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30 de julho de 2018

“Deus me fez travesti. Aceitem que dói menos”, diz ativista após peça ‘Jesus Rainha do Céu’

Uma decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) garantiu a encenação da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu no Festival Internacional da Garanhuns (FIG) na última sexta-feira, 27 de julho. No entanto, as agressões à fé cristã não se restringiram ao teatro protagonizado pelo travesti Renata Carvalho.


A peça foi encenada após o Ministério Público de Pernambuco mover ação pedindo uma liminar ao TJPE. O desembargador Silvio Neves Baptista Filho atendeu ao pedido alegando que a proibição viola a “atividade artística prevista no art.5º, inc.IX, da Carta Magna”, já que, na visão do magistrado, a “peça tem caráter ficcional e objetiva fomentar o debate sobre os transgêneros sem ultrajar a fé cristã”.

Com uma multa de R$ 50 mil prevista na liminar, a peça que mostra Jesus como um travesti vivendo no mundo contemporâneo foi encenada. Na sequência, o cantor Johnny Hooker subiu ao palco, e reagindo às ações que tentaram impedir a encenação da peça, entoou coros provocativos, dizendo que Jesus seria homossexual, segundo informações do portal Folha PE.

No dia seguinte, sábado (28), o grupo Nova Cena Pernambucana exibiu cartazes com os dizeres “Lula Livre”, “Marielle Vive” e “Amorxs Trans”. Momentos antes do show dos artistas locais, um modelo subiu ao palco com uma camiseta com os dizeres “Deus me fez travesti” e fez provocações ao público conservador: “Aceitem que dói menos”.


Em reação, o prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB) divulgou uma nota em seu perfil Instagram: “Vimos a público manifestar nosso repúdio às apresentações ofensivas e desrespeitosas que aconteceram nesta cidade […] Artistas sem postura, desrespeitando seus próprios fãs e os cidadãos de Garanhuns”, lamentou.


O político local – que foi um dos que se opuseram à encenação da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu – afirmou que o cantor Johnny Hooker desrespeitou seus opositores ideológicos “proferindo todo tipo de palavrões e hostilidade” e “provocações contra símbolos religiosos”. Além disso, o prefeito também criticou Daniela Mercury, a quem descreveu como portadora de um “discurso de senso comum, simplista e arrogante”.

Uma decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) garantiu a encenação da peça O Evangelho Segundo Jesus…