Culto da Família
13 de julho de 2018

FAMILIAR AO REDOR DA MESA, A IMPORTÂNCIA DAS REFEIÇÕES

A MESA DE JANTAR E A VIDA MODERNA

A vida moderna, os excessos de compromissos, a falta de tempo e também a negligencia têm sido as grandes responsáveis pela perda da qualidade em nossa vida familiar. Abandonamos hábitos simples, esquecemos valores fundamentais na vida familiar como, por exemplo, o sentar-se a mesa.

“e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.”
(Dt 6:7)


Nosso objetivo, com igreja, é buscar resgatar o uso de uma peça mobiliária que, dia a dia, vem sumindo de nossa rotina. Precisamos trazê-la de volta aos nossos lares. Refiro-me à velha mesa de jantar. Antigamente este móvel era indispensável, muito usado em todas as famílias. As mesas, que eram grandes e cabiam toda a família ao seu redor, hoje foram trocadas por outras peças, talvez mais “úteis”.

Nosso desafio é resgatar a velha mesa em nossas casas. Se realmente queremos fortalecer nossas famílias e proteger nossos filhos, precisamos procurar onde os estamos perdendo.

Nas linhas seguintes, pretendo demonstrar que uma família reunida, além de ter a benção de Deus, poderá gozar de momentos ricos, onde compartilharão, não somente do alimento, mas de boas conversas, comunhão e momentos inesquecíveis, que trarão crescimento e serão lembrados para sempre.

Ainda que, sentar-se à mesa pareça algo simples, quase banal, na realidade tem se tornado tarefa difícil e árdua. As pessoas andam apressadas e assim, a família não se reúne mais em volta da mesa, cada um toma suas refeições em horários e locais diferentes. Isso sem falar nas refeições realizadas em frente a TV.

Vale ressaltar que Deus, através de sua Palavra, no passado, já advertiu ao seu povo que, se quisessem prosperar e se tornarem fortes, deveriam importar-se em assentar-se à mesa. Também destaco que todas as vezes que negligenciamos algum princípio bíblico, normalmente, colhemos frutos amargos. Os conselhos de Deus não são para punir, mas nos ajudar e para gerar o nosso bem e de nossa família.

É interessante observar que para transformar doze homens problemáticos em uma equipe vencedora, Jesus investiu seu tempo em treiná-los. E como ele fazia isto? Se relacionando. Inúmeras vezes vemos o mestre sentado à mesa com seus discípulos. Observe que, mesmo depois de sua morte e ressurreição, quando precisou fortalece-los, usou a mesma tática: novamente os chamou para um jantar na praia. Confira lá em João 21:1-14.

Pessoas sensíveis, ao redor do mundo, têm percebido e se preocupado com os relacionamentos interpessoais que não vão bem. Todos entendem que alguma coisa precisa ser feito. A educação de nossas crianças tem sido motivo de preocupação. Diversos centros de estudos e universidades em muitos países vêm dedicando-se à pesquisas que, por sua vez, colhem resultados semelhantes quanto às consequências de uma família sentar-se, ou não, à mesa.

Estudos na Escola de Pedagogia de Harvard, nos Estados Unidos, revelaram que quem compartilha regularmente as refeições com a família, além de comer melhor, tem maior bem-estar físico e emocional.

No Centro Nacional de Dependência e Abuso de Drogas da universidade de Columbia (EUA), foi descoberto que quanto mais refeições junto aos pais, mais os filhos se dão bem na escola e atrasam a iniciação sexual; e menos bebem, fumam, usam drogas, ficam deprimidos, brigam ou desenvolvem distúrbios alimentares (como a anorexia)

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Um levantamento, realizado em 2007 com 20 mil alunos ingleses de 16 anos, demonstrou uma forte relação entre refeições regulares à noite com a família e o bom desempenho no GCSE – exames escolares feitos por todos os secundaristas da Grã-Bretanha. Ainda na Grâ-Bretanha, segundo os dados da pesquisa, que foram recentemente publicados pelo departamento de “Crianças, Escolas e Famílias” do governo britânico, constatou-se que os melhores resultados estavam entre os filhos de famílias que se reuniam para jantar.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Havard, dos Estados Unidos, revelou que a criança que se senta à mesa com os pais alimenta-se melhor em comparação aos coleguinhas que comem sozinhas. Ainda outra pesquisa realizada com 16 mil crianças, de 9 a 14 anos, as frutas e vegetais aparecem quase duas vezes mais no prato daquelas que fazem as refeições com a família ao redor da mesa.

A socióloga alemã Ângela Keppler conduziu outra pesquisa, com 300 famílias alemãs, onde se demonstrou que famílias optam pelo velho hábito de conversar durante as refeições, ao invés de assistir televisão, obtêm maior harmonia e fluidez em suas relações. A socióloga chegou à conclusão que uma das melhores terapias familiares é a comunicação à mesa.

Segundo ela, esse momento é importante para trocar informações sobre diversos assuntos. Stephen Covey no seu livro “Os 7 hábitos das famílias muito eficazes” (Editora Best Seller) cita um artigo da professora Marianne Jennings, da Universidade do Arizona, onde a autora narra a importância das refeições à mesa em sua família. Em um dos trechos ela escreve:
“ Muito de tudo o que aprendi e que me é tão caro está indissoluvelmente ligado à mesa da cozinha. Esta peça de mobiliário, gasta e arranhada, era uma pequena parte física do meu lar. Contudo, quando me lembro de tudo que fizemos ali, percebo que foi a chave para a vida que tenho hoje. Todas as manhãs, aquela mesa me enviava para o mundo, alimentada e severamente inspecionada. A mesa da cozinha nutria. Era a minha constante em meio às inseguranças dos dentes encavalados, do fato de ter mais sardas do que pele. Aquela mesa da cozinha não constituía apenas uma fonte de medo, era também o “meu cobertozinho de segurança”. Não importava quanto me sentisse desanimada por causa dos `sapos que engolira` durante o dia, a mesa da cozinha e os adultos que dela cuidavam estavam lá todas as noites para me consolar e amparar”.

Todas estas pesquisas apenas comprovam o que temos visto dia à dia na prática. Por isto justifica o tema deste estudo. O valor e os benefícios obtidos durante a hora das refeições em família não têm preço. Este é um momento santo, momento de ministração, momento de ensinar e aprender, de compartilhar e se comprometer. É aqui o local onde os valores familiares serão incutidos (Dt. 6.7). E daqui que sairão pessoas fortes e sadias para enfrentar o mundo. A mesa significa a didática divina que forma gente curada, cidadãos fortalecidos pelas experiências de vida compartilhada e da fé vivida.

Mais importante do que aquilo que se tem sobre a mesa, é a conversa ao redor dela. Ainda que pareça difícil ou complicado, não é. Lembre-se que o cardápio é um detalhe, mas a presença dos pais (corpo e alma) fará a diferença, pois ela é o diferencial no desenvolvimento saudável dos filhos.


Creia que coisas novas começarão a acontecer a partir do momento que decidir fazer da hora das refeições uma prioridade ao invés de uma opção. Nossos filhos necessitam de nossa presença para lhes mostrarem o que devem e o que não devem fazer. A hora da refeição é a hora do “Você deve fazer isso…”, “Você deve se lembrar…”, “Você pode, você é capaz…”, “Eu te amo…”, etc…

A vida moderna, os excessos de compromissos, a falta de tempo e também a negligencia têm sido as grandes responsáveis pela perda da qualidade em nossa vida familiar…